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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 128 - NOV - DEZ/ 2016 - JAN/2017

COMISSÕES ASSESSORAS / RESÍDUOS E GESTÃO AMBIENTAL

 

Biodiversidade marinha pede socorro

Pesquisadores da Universidade Santa Cecília constatam presença de fármacos na área de influência do emissário submarino de Santos

 

2012-05-09-09Acima, pesquisadores da Unisanta durante a primeira coleta realizada no mar de Santos, em 2012; no ano seguinte, o estudo foi premiado no XVII Congresso Farmacêutico de São PauloDono da segunda maior costa contínua do mundo, o litoral brasileiro se estende por cerca de oito mil quilômetros que conferem ampla diversidade distribuída em dunas, falésias, praias, mangues, recifes, baías e muitos outros ecossistemas. A ocupação desordenada desses espaços fez com que toda essa riqueza natural seja também destino de toneladas de poluentes que são despejados sem nenhum tipo de tratamento por meio de emissários submarinos. 

Foi com foco nas substâncias lançadas ao mar pelo esgoto de Santos que pesquisadores da Universidade Santa Cecília (Unisanta) deram início, em 2012, a um estudo que constatou a presença de fármacos na área de influência do emissário submarino santista, localizado a 4,5 km da praia. A pesquisa está inserida no curso de Farmácia da instituição, bem como no mestrado em Ecologia Unisanta, e contou com a participação de alunos de ambos os cursos.

Coordenadora do estudo e docente da Unisanta, dra. Luciana Lopes Guimarães explica que a pesquisa inicialmente foi motivada pela discussão acerca do descarte incorreto de fármacos. “Houve também a preocupação com a questão do tratamento adequado dos esgotos, no sentido de minimizar o lançamento destas substâncias nas águas, levando também em consideração a excreção de fármacos (e metabólitos) pela urina e fezes. Tudo isso 

reflete numa crescente preocupação com os efeitos biológicos destas substâncias em organismos não-alvos, como peixes”.

Dentre as substâncias medicamentosas encontradas nas coletas realizadas na primeira fase do estudo estão paracetamol, diclofenaco, ácido acetilsalicílico, losartana e valsartana. Também foram detectados cocaína e seu principal produto do metabolismo humano e que é excretado na urina, a benzoilecgonina. Todas as amostras foram analisadas por Cromatografia Líquida Acoplada à Espectrometria de Massas (LC/MS/MS).

O estudo enfocou a quantificação de fármacos e drogas ilícitas em águas. A pesquisadora dra. Luciana destaca o potencial destas substâncias de induzir efeitos biológicos adversos, especialmente aos ecossistemas aquáticos e, sendo assim, estas substâncias vêm sendo classificadas como poluentes emergentes ambientais. 

“Recentes estudos demonstram que a presença desses múltiplos compostos no ambiente implica também em múltiplas vias de ação, podendo interferir significativamente na fisiologia, no metabolismo e no comportamento das espécies”, afirmou a farmacêutica. Os efeitos biológicos das concentrações encontradas no estudo são realizados no laboratório de Ecotoxicologia da Unisanta e da Unifesp. 

sada-do-emissario-6Haste sobre o mar demarca o ponto de saída do emissário submarino de Santos; paracetamol, diclofenaco, ácido acetilsalicílico, losartana, valsartana e até cocaína estão entre as substâncias encontradas nas amostras

 

Reconhecimento

Intitulado “Presence of pharmaceuticals in the area of influence of Santos submarine outfall”, o estudo da Unisanta ficou em terceiro lugar entre os trabalhos científicos premiados no XVII Congresso Farmacêutico de São Paulo, realizado pelo CRF-SP em 2013. De lá para cá, a pesquisa ganhou continuidade por meio de alguns acadêmicos, em parceria com a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com incentivo financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Nesta segunda etapa, a pesquisa prosseguirá com análises dos efeitos tóxicos dos fármacos na água, nos sedimentos e em organismos marinhos. 

Por Renata Gonçalez  

 

 

 

 
 

     

     

    farmacêutico especialista