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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 128 - NOV - DEZ/ 2016 - JAN/2017

COMISSÕES ASSESSORAS / ANÁLISES CLÍNICAS E TOXICOLÓGICAS

 

Exames laboratoriais e acompanhamento farmacoterapêutico

No âmbito da Farmácia, essa atribuição clínica descrita na Res. nº 585/13 do CFF representa uma importante ferramenta para a realização da adequada atenção farmacêutica

 

03B73994Fundamentais para alguns diagnósticos e para o acompanhamento da terapêutica prescrita, os exames laboratoriais têm como utilidade fornecer informações para avaliar o prognóstico, determinar as concentrações tóxicas e terapêuticas dos fármacos, avaliar as concentrações das substâncias, além de monitorar a efetividade farmacoterapêutica. Para os profissionais de Farmácia, representam, acima de tudo, um importante instrumento para a realização da adequada atenção farmacêutica, promovendo a saúde individual e coletiva.

Nesse sentido, é crucial que o farmacêutico entenda sobre os exames laboratoriais e possíveis interferências. O profissional deve estar constantemente atualizado, respeitando a legislação vigente e seguindo as diretrizes de órgãos competentes, em especial a Resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) nº 585/2013, que regulamenta as atribuições clínicas do farmacêutico.

São várias as patologias cuja efetividade farmacológica pode ser avaliada por meio de exames laboratoriais, dentre as quais: diabetes (glicemia e hemoglobina glicada); dislipidemia (colesterol total e frações e triglicerídeos); anticoagulação oral (RNI – relação normatizada internacional); distúrbios da tireoide (hormônios tireoidianos e TSH – hormônio estimulante da tireoide); gota (ácido úrico) e anemia por deficiência de ferro (hemoglobina e perfil do ferro).

Além disso, os exames laboratoriais são utilizados no monitoramento de efeitos adversos hepático e renal, advindos de medicamentos potencialmente hepato ou nefrotóxicos, ou para pacientes com maior suscetibilidade aos efeitos adversos dos medicamentos.

 

Controle e garantia de qualidade

Na avaliação do dr. Paulo Caleb Júnior de Lima Santos, coordenador da Comissão Assessora de Análises Clínicas e Toxicológicas do CRF-SP e autor do livro “Atenção Farmacêutica – Contexto atual, exames laboratoriais e acompanhamento farmacoterapêutico”, é importante frisar que a confiabilidade no resultado do exame realizado no laboratório clínico depende da execução e do monitoramento do controle e da garantia da qualidade, evitando erros em todo o processo.

“As influências de fatores externos e/ou internos podem comprometer a relação existente entre o resultado do exame e o quadro clínico do paciente. Dessa forma, torna-se fundamental a implantação de sistemas de gestão da qualidade”, afirma o farmacêutico.

 

03B67193Confiabilidade no resultado do exame realizado no laboratório clínico depende da execução e do monitoramento do controle e da garantia da qualidade, evitando erros em todo o processo

 

 

Interferências x orientação

Considerando a capacidade que alguns medicamentos possuem de alterar os resultados de exames laboratoriais, interferindo no diagnóstico laboratorial ou no resultado do monitoramento farmacoterapêutico, é de extrema importância que o profissional obtenha o máximo possível de informações sobre todos os medicamentos utilizados pelo paciente antes da coleta do material.

Dois mecanismos são importantes para esse tipo de alteração: a interferência fisiológica (in vivo) e a interferência analítica (in vitro). A primeira pode ocorrer por indução ou inibição enzimática, competição metabólica e ação farmacológica, quando o fármaco ou seus produtos de biotransformação são responsáveis pela modificação de um componente biológico, por meio de um mecanismo fisiológico, farmacológico ou toxicológico. Por exemplo, o uso de fenobarbital pode gerar interferência fisiológica na dosagem plasmática de bilirrubina, pois induz a glicuronil-transferase, aumentando a conjugação de bilirrubina.

Já a interferência analítica em determinações plasmáticas ocorre por meio de ligação às proteínas e de reações cruzadas com outros componentes plasmáticos, situações em que o fármaco ou seus metabólitos influenciam na análise em algum estágio do processo analítico, sendo que o grau de interferência varia de acordo com o procedimento técnico utilizado e a concentração sérica do fármaco no organismo.

Dr. Paulo Caleb esclarece que “os resultados falso-positivos podem gerar interpretação errônea sobre o acometimento do paciente por um problema de saúde que ele não apresenta ou denotar insucesso terapêutico, enquanto os resultados falso-negativos podem ocasionar o não tratamento de um problema de saúde. ” 

Por Renata Gonçalez 

 

 

 

 
 

     

     

    farmacêutico especialista