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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 128 - NOV - DEZ/ 2016 - JAN/2017

ESPECIAL - ARTIGO DR. PAULO LORANDI

 

Ética na perspectiva do desenvolvimento profissional

 

foto artigoDizer que o mundo do trabalho está em constante mudança é pouco esclarecedor e pode ser considerado lugar comum. É preciso definir quais são as mudanças desejadas ou as que estão acontecendo. Apesar da sociedade ocidental contemporânea estar baseada, de forma predominante, em valores individuais, no predomínio do desejo do consumo e na busca do conhecimento de aplicação imediata, é necessário imaginar que a complexidade das relações exige novas formas de pensar e de agir, de forma utópica.

Utopia entendida como sendo a grande motivação a mover as pessoas e os coletivos e, desse modo, precisa ser incentivada. Para o desenvolvimento profissional, a utopia é propor que o profissional entenda seu papel social e de que modo seu trabalho pode contribuir no desenvolvimento social. No que se refere ao farmacêutico, é preciso que se assuma como profissional da saúde, na promoção do empoderamento do cidadão, na manutenção do seu papel como educador em saúde para a busca do uso racional do medicamento, atuando em qualquer âmbito do profissional.

Nessa perspectiva, a despeito de toda a formação técnica de qualidade, atualizada, profunda e vista de forma integrada, o farmacêutico tem de desenvolver a capacidade de resolver os dilemas éticos profissionais que, com certeza, enfrentará. Para isso, precisa entender os princípios éticos universais que encaminhem sua vida profissional. Primeiro, precisa ter a clareza do contexto em que vive. A despeito da saúde ser um direito universal e o medicamento ser um instrumento importante na sua manutenção, seu desenvolvimento se dá em um mundo capitalista, com foco em sua comercialização lucrativa, não necessariamente percebendo o medicamento como instrumento terapêutico no desenvolvimento da saúde. 

Como segundo ponto a ser considerado é a de o farmacêutico também ser um sujeito coletivo. O conjunto das ações individuais dá o significado social da profissão. É na somatória das ações de todos os profissionais que a sociedade conhece e reconhece o farmacêutico. Como a significação social interfere na qualidade da atuação de todos os farmacêuticos, justifica-se, assim, que sua conduta individual seja balizada por parâmetros coletivos, definido pelos pares e consolidado na estrutura de seu conselho profissional e pelo Código de Ética.  

O Código de Ética Profissional visa estabelecer os elementos mínimos esperados do profissional, dando a ele as possibilidades de escolha quando se deparar com o novo, que está sempre por vir e sempre acontecendo. As grandes referências do farmacêutico têm de ser as evidências científicas e a promoção do uso racional do medicamento.

Todo o arcabouço legal que está posto há de ser seguido e o farmacêutico tem de se manter proativo para que as normas legais estejam sempre em evolução, na busca do aperfeiçoamento dos serviços farmacêuticos. 

(Dr. Paulo Lorandi, coordenador do Conselho de Presidentes das Comissões de Ética do CRF-SP)

 

 

 

 
 

     

     

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