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Revista do Farmacêutico

PUBLICAÇÃO DO CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DE SÃO PAULO
Nº 122 - JUN-JUL-AGO / 2015

 

 

Auriculoterapia para alergias
Diagnóstico e tratamento de reações adversas aos alimentos podem ser feitos com técnica francesa

 

Cerca de 5% da população têm alergia a alimentos no Brasil, de acordo com a Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Na maioria, são crianças (uma em cada 13), mas os adultos também possuem essa adversidade. A boa notícia é que uma técnica de auriculoterapia tem levado a bons resultados no tratamento de males desse tipo.

 

 

Entre os alimentos que mais causam alergia estão leite, soja, amendoim, ovo, trigo, peixes ou frutos do mar e castanhas que, somados, são responsáveis por 90% das alergias, segundo estudo publicado em 2008 na Current Opinion in Pediatrics.

Para entender mais sobre esse tipo de reação, a Associação Brasileira de Nutrologia define as reações adversas aos alimentos como a representação de qualquer reação anormal à ingestão de alimentos ou aditivos alimentares, que podem ser classificadas em tóxicas e não tóxicas.

De acordo com a entidade, as reações tóxicas dependem mais da substância ingerida ou das propriedades farmacológicas de determinadas substâncias presentes nos alimentos. Já as reações não tóxicas são aquelas que dependem de susceptibilidade individual a determinado alimento e podem ser classificadas em: não imuno-mediadas (intolerância alimentar) ou imuno-mediadas (hipersensibilidade alimentar ou alergia alimentar).

São principalmente essas reações não tóxicas que mais aparecem na mídia, o que trouxe o assunto à tona e despertou na população uma manifestação para mudanças legais em rótulos de alimentos.

Em junho, a Anvisa regulamentou requisitos para rotulagem obrigatória dos principais alimentos que causam alergias alimentares.

Também passou a ser obrigatória a informação de possíveis contaminações cruzadas dos alimentos (que é a presença de qualquer alérgeno alimentar não adicionado intencionalmente). No rótulo deve constar a declaração “Alérgicos: Pode conter (nomes comuns dos alimentos que causam alergias alimentares)”.

Essa é uma grande vitória para quem está envolvido com a causa, tão importante quanto o diagnóstico e o tratamento dessa doença, que tem como uma das técnicas mais modernas a auriculoterapia francesa.

À FRANCESA

Recém-chegado da França, onde estudou a técnica, o farmacêutico acupunturista e coordenador da Comissão de Acupuntura – Medicina Tradicional Chinesa, dr. José Trezza Netto, aponta que o diagnóstico pela auriculoterapia equipamentos utilizados no diagnóstico e tratamento das alergiasequipamentos utilizados no diagnóstico e tratamento das alergiasfrancesa é feito pelo contato de substâncias suspeitas de serem alérgenos ou que podem causar intolerâncias alimentares com a pele do paciente.

“Utilizamos um mecanismo chamado de fotopercepção cutânea e também medimos o pulso do paciente por meio do VAS (sinal autonômico vascular). Utilizamos filtros especiais que contêm os principais agentes causadores de alergia e intolerâncias alimentares”, explica.

Já para realizar o tratamento, dr. Trezza afirma que se escolhem pontos auriculares que minimizam a resposta alérgica por mecanismos neuroendocrinofisiológicos e também reguladores da resposta imune.

O coordenador diz ainda que nem todas as pessoas com alergia ou intolerância são tratadas pelos mesmos pontos na orelha. “O tratamento é individualizado, uma vez feito o diagnóstico, escolhe-se a melhor estratégia de tratamento.”

AURICULOTERAPIA

Realizada por meio de estímulos em pontos reflexos localizados na orelha externa, a auriculoterapia francesa teve seu grande avanço na década de 1950. A partir dessa data, tem sido utilizada com grande ênfase para tratamento de dor por analgesia, mas também é forte aliada para disfunções orgânicas, como em caso de desintoxicação causada por drogas, álcool e nicotina, além de alergias.

Por Mônica Neri