Pela primeira vez, entidades representativas de farmacêuticos, médicos, veterinários, odontólogos, vigilância sanitária, Secretaria estadual de saúde, infectologistas e outros participam juntos de uma grande campanha para o uso racional de antibióticos e o combate à resistência microbiana. O start foi dado no dia 17 de junho, na sede do CRF-SP, em uma reunião que definiu o papel de cada entidade na campanha. 

A novidade foi a criação de uma liga composta por esses órgãos representativos (confira a lista abaixo) para que as ações sejam conjuntas e realizadas para cada público-alvo e principalmente para a formação de um grupo forte e atuante para propor novas regulamentações, em especial para controlar o uso de antibióticos. Folderes, palestras, notícias no site e nos veículos de comunicação também estão entre as iniciativas.

Dra. Raquel Rizzi, presidente do CRF-SP e dr. Marcelo Polacow, vice-presidente, estiveram à frente das discussões.  O CRF-SP identificou o problema na prática em um levantamento no final de 2008, em que 68% das 2.769 farmácias consultadas dispensavam antibióticos sem prescrição.

Dra. Raquel enfatizou a necessidade de capacitação dos profissionais de saúde, o incentivo à pesquisa na área de antibióticos (que será realizado por aproximação das universidades) e ainda na importância de pensar em uma ação global, sem deixar de atender cada área especificamente. Um novo encontro entre as entidade será marcado para a efetivação das ações e início da campanha. 

Confira o que disseram os representantes de cada entidade:

 

“Algumas drogas que nem chegaram ao mercado já possuem resistência. Este é um caminho e não é apenas um trabalho do CRF-SP, mas de todos os envolvidos”.

Dr. Marcelo Polacow, vice-presidente do CRF-SPDr. Marcelo Polacow, vice-presidente do CRF-SP

Dr. Marcelo Polacow, vice-presidente do CRF-SP

 

“Não adianta apenas a atuação do farmacêutico na dispensação, o diagnóstico e a prescrição também devem ser corretos e a população precisa entender que uma febre ou gripe nem sempre é motivo para o uso de antibiótico”.

Dra. Raquel Rizzi, presidente do CRF-SPDra. Raquel Rizzi, presidente do CRF-SP 

Dra. Raquel Rizzi, presidente do CRF-SP

 

“O grande problema do uso irracional de antibióticos é a deficiência do conhecimento microbiológico”.

Dra. Marina Baquerizo Martinez, Sociedade Brasileira de MicrobiologiaDra. Marina Baquerizo Martinez, Sociedade Brasileira de Microbiologia

Dra. Marina Baquerizo Martinez, Sociedade Brasileira de Microbiologia

 

“Os hospitais sentinelas enviam periodicamente um relatório sobre a utilização de antibióticos. Com base nisso, a Anvisa analisa e publica essas informações no site”.

Dra. Fabiana C. de Sousa, da Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (Anvisa)Dra. Fabiana C. de Sousa, da Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (Anvisa)

Dra. Fabiana C. de Sousa, da Gerência-Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde (Anvisa)

 

“Parabenizo o CRF-SP por promover a discussão sobre esse assunto que é de interesse de todas as categorias. No entanto, precisamos estimular mais pesquisas para que as ações sejam pontuais”.

 

Dra. Maria Lucia Varellis, do Conselho Regional de Odontologia de São PauloDra. Maria Lucia Varellis, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo

 

Dra. Maria Lucia Varellis, do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo

 

“Temos que diferenciar muito bem os dados sobre infecção hospitalar e infecção comunitária. Hoje o custo é alto para a realização de testes rápidos no consultório”.

Dr. Eitan Berezin, Sociedade Brasileira de PediatriaDr. Eitan Berezin, Sociedade Brasileira de Pediatria

Dr. Eitan Berezin, Sociedade Brasileira de Pediatria

 

“O acesso da população ao sistema de saúde deve ser ressaltado. Precisamos discutir essa questão paralelamente”

Dr. Marco Aurélio Pereira, Federação Nacional de FarmacêuticosDr. Marco Aurélio Pereira, Federação Nacional de Farmacêuticos

Dr. Marco Aurélio Pereira, Federação Nacional de Farmacêuticos

 

“Parabéns pela brilhante iniciativa do CRF-SP. Temos que fazer grupos de trabalho distintos, como veterinária considero fundamental o controle do governo em relação aos antibióticos”.

Dra. Silvana Lima Górniak, Conselho Federal de Medicina Veterinária Dra. Silvana Lima Górniak, Conselho Federal de Medicina Veterinária

Dra. Silvana Lima Górniak, Conselho Federal de Medicina Veterinária 

 

“Não basta proibir a dispensação sem receita, se a prescrição for inadequada. Temos que fazer documentos de orientação para o profissional com as especificidades de cada profissão”.

Dra. Denise Brandão de Assis, CVE/CCD/SES-SPDra. Denise Brandão de Assis, CVE/CCD/SES-SP

Dra. Denise Brandão de Assis, CVE/CCD/SES-SP

 

“As ações devem iniciar no ensino da microbiologia. Temos que pensar na formação do ponto de vista farmacológico” .

Dr. Eduardo V. da Mota, Federação Brasileira Ass. Ginecologia e ObstetríciaDr. Eduardo V. da Mota, Federação Brasileira Ass. Ginecologia e Obstetrícia

Dr. Eduardo V. da Mota, Federação Brasileira Ass. Ginecologia e Obstetrícia

 

“Só tenho elogios a fazer sobre a iniciativa. Muito já foi feito, mas temos que melhorar o diagnóstico, a duração do tempo da antibioticoterapia e também atuar sobre a dispensação do medicamento”.

Dr. Renato Grinbaum, Associação Brasileira MédicaDr. Renato Grinbaum, Associação Brasileira Médica

Dr. Renato Grinbaum, Associação Brasileira Médica

 

“Começamos a trabalhar a assistência farmacêutica em nível de protocolos e com a capacitação dos profissionais de saúde. Esse projeto tem tudo a ver com essa capacitação. O antibiótico é a maior parte dos custos com medicamentos”.

Dr. Tuyoshi Ninomya, Secretaria de Estado da Saúde (coordenadoria de ciência tecnologia e assuntos estratégicos)Dr. Tuyoshi Ninomya, Secretaria de Estado da Saúde (coordenadoria de ciência tecnologia e assuntos estratégicos)

Dr. Tuyoshi Ninomya, Secretaria de Estado da Saúde (coordenadoria de ciência tecnologia e assuntos estratégicos)

 

“Espero que continuemos engajados e que a Anvisa nos dê sustentação. O fracionamento se mostra fundamental nesse momento, porque hoje as pessoas compram medicamentos a mais ou a menos porque as apresentações não atendem a prescrição”.

 

Dr. Fernando de Sá Fiol, Conselho Federal de FarmáciaDr. Fernando de Sá Fiol, Conselho Federal de Farmácia

Dr. Fernando de Sá Fiol, Conselho Federal de Farmácia

 

“Temos responsabilidade profissional e social, no que for possível a Odontologia será solidária” .

Dra. Cristiane F. Saes Lobas, Associação Paulista de Cirurgiões DentistasDra. Cristiane F. Saes Lobas, Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas

 Dra. Cristiane F. Saes Lobas, Associação Paulista de Cirurgiões Dentistas

“O SNGPC é um caso de sucesso, hoje se restringe a rede privada, mas levaremos a rede pública e aos hospitais. O sistema é uma alternativa que pode ser utilizado concomitantemente com essas ações propostas”.

Dra. Márcia Gonçalves de Oliveira, AnvisaDra. Márcia Gonçalves de Oliveira, Anvisa

Dra. Márcia Gonçalves de Oliveira, Anvisa

 

 Dr. Deodato Rodrigues, do Sindicato dos Farmacêuticos, também participou da reunião e manifestou apoio à campanha.

Dr. Deodato Rodrigues, do Sindicato dos FarmacêuticosDr. Deodato Rodrigues, do Sindicato dos Farmacêuticos