Encontro discute o impacto de novas tecnologias na atuação do farmacêutico

Público lotou o auditório da Unip VergueiroPúblico lotou o auditório da Unip VergueiroSão Paulo, 18 de janeiro de 2019.

A 19ª edição do Encontro Paulista de Farmacêuticos reuniu hoje (18/01), na capital, mais de 450 farmacêuticos para debater como empreender de forma competitiva na era da tecnologia. Cinco palestrantes mostraram o quanto é fundamental o profissional estar inserido nesse novo cenário com inovações que diferenciam e dão segurança aos serviços prestados.

Durante a abertura, o presidente do CRF-SP, Dr. Marcos Machado, destacou que existem cerca de 260 startups com inovações tecnológicas na área de saúde. “É preciso garantir a qualidade desses serviços. Não é possível olhar para a farmácia pelo retrovisor, temos de andar junto com as inovações tecnológicas, tanto os profissionais quanto as entidades. E esse é o objetivo desse evento”. Dra. Luciana Canetto, secretária-geral, e Dr. Antonio Geraldo dos Santos, vice-presidente, também enfatizaram a importância da escolha do tema do evento diante das mudanças na profissão.

Dr. Marcos Machado, presidente do CRF-SP; Dra. Luciana Canetto, secretária-geral; e Dr. Antônio Geraldo, vice-presidenteDr. Marcos Machado, presidente do CRF-SP; Dra. Luciana Canetto, secretária-geral; e Dr. Antônio Geraldo, vice-presidente

O engenheiro e gerente comercial e de inteligência do InovaIncor, Guilherme Rabello, foi o primeiro ministrante do painel que seguiu por toda a manhã com o tema “Empreendendo de forma competitiva na era da tecnologia”. Ele falou que a inovação digital está transformando a saúde, e a farmácia e o farmacêutico não estão fora desse cenário de desafio. "A mudança é desconfortável, exige reavaliação de conceitos, a famosa frase ‘sempre foi assim’ é perigosa e na farmácia não é diferente”.

Ele ressaltou ainda que, hoje, o atendimento está cada vez mais pessoal e personalizado. “Ao entrar em uma farmácia, as pessoas não podem se sentir um número. Eu não vou tratar uma doença, mas uma pessoa que está doente, o entorno dessa pessoa, os parentes que também sofrem. É um contexto e a tecnologia também faz parte”. Quanto à individualização do tratamento, Guilherme Rabello destacou que, no futuro, mediante uma necessidade fisiológica do paciente, haverá a prescrição do médico muito específica e o farmacêutico irá imprimir o medicamento personalizado em impressora 3D na farmácia ou até na casa do paciente, quando se tratar de homecare. "Será o medicamento específico na quantidade exata que o paciente irá precisar. A farmácia do futuro é personalizada”.

Dra. Danyelle Marini, diretora tesoureira do CRF-SP; Profº Dr. Leoberto Costa, presidente da Comissão Executiva do XX Congresso Farmacêutico de São Paulo; e Dr. José Vanilton de Almeida, coordenador do grupo Farmácia Estabelecimento de SaúdeDra. Danyelle Marini, diretora tesoureira do CRF-SP; Profº Dr. Leoberto Costa, presidente da Comissão Executiva do XX Congresso Farmacêutico de São Paulo; e Dr. José Vanilton de Almeida, coordenador do grupo Farmácia Estabelecimento de Saúde

Atualmente, uma em cada cinco pessoas não sabe usar adequadamente as tecnologias. Uma das principais ações do farmacêutico será a capacidade de engajar o paciente e educá-lo a utilizar a tecnologia. Esse é o papel social do farmacêutico, capacitar o paciente para a inclusão digital do seu próprio tratamento.

O presidente-executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL), Carlos Gouvêa, ressaltou o conceito de Saúde 4.0. “Esse conceito tem como principais objetivos evitar o desperdício e trazer eficácia ao tratamento. A saúde passa a ser focada no usuário final, ou seja, centrada no paciente. Ela permite melhor e maior rapidez na terapêutica, no pós-tratamento e melhora a gestão da saúde, incluindo nos hospitais”.

Para Gouvêa, essa nova realidade de saúde 4.0 tem de ter conectividade e esse é um desafio num país como o Brasil. Os talentos e as habilidades precisam ser adquiridos, o farmacêutico está nesse exército de profissionais. “É preciso conectar a farmácia com a unidade básica de saúde, a UBS com um hospital centralizado, o hospital geral com um mais especializado. O farmacêutico tem hoje um grande desafio de olhar para o futuro e se inserir nele”.

Dr. Alessandro Bossan, sócio-diretor de marketing estratégicona NEXTCorp; Dr. Nilson Malta, gerente de automação hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein; e Dr. Henry Suzuki, mediador do debateDr. Alessandro Bossan, sócio-diretor de marketing estratégicona NEXTCorp; Dr. Nilson Malta, gerente de automação hospitalar do Hospital Israelita Albert Einstein; e Dr. Henry Suzuki, mediador do debate

A terceira palestra da manhã mostrou a experiência do farmacêutico e gerente de automação hospitalar do Hospital Israelita Einstein, Dr. Nilson Gonçalves Malta, que afirmou que a tecnologia e as ferramentas são essenciais para a garantia do uso seguro de medicamentos. “Talvez o emprego mude, mas a tecnologia não fará ninguém necessariamente perder o emprego. Dados não são informações e precisam de interpretação e estrutura para se transformar em informação. Isso é papel do ser humano.”

Em relação à profissão farmacêutica, Dr. Nilson apontou que, nos hospitais, a atuação sempre esteve mais ligada à dispensação. “Hoje temos robôs que dispensam medicamentos sem nenhum erro. Podemos utilizar esse tempo para mostrar nosso valor, trabalhar com o nosso conhecimento e prestar realmente a assistência farmacêutica aos pacientes”.

Para ele, o grande valor da Farmácia 4.0 é deixar a atividade repetitiva para as máquinas e ampliar o trabalho do farmacêutico com o conhecimento, ou seja, sai o trabalho pesado e burocrático para aumentar a dedicação com a assistência aos pacientes.

Dra. Andreia Bertolasi, consultora de negócios do Sebrae/SP; Dr. Carlos Gouvêa, presidente executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial; e Dr. Guilherme Rabello, gerente comercial e de inteligência do InovaIncorDra. Andreia Bertolasi, consultora de negócios do Sebrae/SP; Dr. Carlos Gouvêa, presidente executivo da Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial; e Dr. Guilherme Rabello, gerente comercial e de inteligência do InovaIncor

Abordando o empreendedorismo, a consultora de negócios do Sebrae/SP Andreia Bertolasi descreveu a influência da jornada do consumidor nas estratégias digitais.

Ela alertou que a era digital mudou o comportamento do consumidor, que busca uma boa experiência ao adquirir um produto ou serviço, assim como modificou a comunicação da empresa com o cliente, a tolerância do consumidor e outros aspectos.

“Em termos de gestão comercial, não se fala mais em público-alvo, mas em persona ou em um público individualizado. Também não se trata mais de qualidade no atendimento, requisito básico, mas em envolvimento, de encantamento”.Mesa de debates do XIX Encontro Paulista de FarmacêuticosMesa de debates do XIX Encontro Paulista de Farmacêuticos

Assim como os outros profissionais, Andreia também relatou a mudança do perfil do profissional nessa nova era. “As habilidades técnicas ficarão com os robôs, enquanto as habilidades comportamentais, por conta dos seres humanos”.

Para finalizar o painel, Dr. Alessandro Bossan, sócio-diretor de marketing na NEXTCorp S/A, apresentou a experiência que criou no município de Votuporanga com a prescrição eletrônica.

“Foi um desafio e iniciamos certificando os médicos e farmacêuticos do município, que passaram a integrar um sistema voltado à prescrição eletrônica, apresentando vantagens ao profissional pois apresenta o histórico do paciente, há ganho de tempo, aumenta a segurança na dispensação, evita duplicidade da receita, acaba com os problemas de prescrições ilegíveis e prescrições falsificadas, entre outros.”

Lançamento do XIII Fascículo

Fascículo “Cuidado Farmacêutico em vacinação”Fascículo “Cuidado Farmacêutico em vacinação”O Seminário foi marcado pelo lançamento da 13ª edição do fascículo que integra o projeto Farmácia Estabelecimento de Saúde e possui a chancela da Organização Pan-americano (Opas). Desta vez, o tema é Cuidado Farmacêutico em vacinação e a publicação traz todas as informações técnicas para que as farmácias ofereçam o serviço de vacinação com excelência.

Dr. Marcos Machado, presidente do CRF-SP e Dr. José Vanilton de Almeida, coordenador do grupo Farmácia Estabelecimento de Saúde, fizeram o lançamento da publicação e falaram brevemente sobre seu conteúdo e importância. O presidente do CRF-SP destacou que a vacina é uma conquista recente, que os entraves legais e burocráticos foram superados e que a vacinação é mais uma importante atividade para o farmacêutico e para a farmácia. Clique e confira mais informações sobre o novo fascículo. 

Logo após o lançamento do fascículo, o Prof. Dr. Leoberto da Costa Tavares, presidente da Comissão Executiva do XX Congresso Farmacêuticos de São Paulo, apresentou brevemente as novidades e os destaques do Congresso, e convidou os farmacêuticos para participarem do evento, que ocorrerá entre os dias 10 e 12 de outubro em São Paulo.

Qual a relação entre ética e a evolução tecnológica no mercado de trabalho?

Excelência, amor e ética. Com essas três referências para inovação, Dr. Clóvis de Barros Filho, doutor e livre-docente pela Escola de Comunicações e Artes da USP, encerrou o XIX Encontro Paulista de Farmacêutico. A excelência quando se escolhe fazer algo que se identifique, de sua natureza; o amor quando a inovação é dedicada ao outro e a ética quando a mudança ocorre na busca de um bem coletivo.

Dr. Clóvis de Barros Filho, doutor e livre-docente pela Escola de Comunicações e Artes da USPDr. Clóvis de Barros Filho, doutor e livre-docente pela Escola de Comunicações e Artes da USP

Clóvis falou que a inovação faz sentido quando ela é uma ferramenta que contribui com a busca da felicidade. Para ele, jamais devemos submeter a vida às inovações, mas a inovação tem de estar a serviço do ser humano. “A inovação é a parte da realidade que precisa da gente para acontecer, depende da ação das pessoas, é a parte da mudança realizada pelo próprio homem, por isso, ela é um caminho que pode ajudar o ser humano a buscar sua plenitude. No entanto, a maior parte das pessoas prefere assistir às coisas acontecerem e esperar por aquilo que ele mesmo poderia arregaçar as mangas e fazer acontecer”.

O conceito de ética nunca foi tão protagonista como nos últimos tempos. “A ética é um entendimento coletivo, toda ética pressupõe uma sociedade justa, essa é a maior das inovações pela qual clama a nossa sociedade. O que agride a ética? Tudo que agride a convivência. A ética é entender que não há só você no mundo”.

Ressaltou ainda que a felicidade só é vivida na companhia do outro, não no isolamento. “Se existe alguma felicidade da nossa vida é quando queremos compartilhar com o outro, quando desejamos muito que as coisas boas que acontecem conosco também aconteçam com qualquer um”.

Para finalizar, o professor resumiu com uma frase o conceito de inovação e arrancou aplausos da plateia. “Uma sociedade mais justa e mais feliz, essa é a inovação que importa”.

 

Monica Neri e Thais Noronha 
Departamento de Comunicação CRF-SP

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