A interferência de medicamentos no resultado dos exames laboratoriais foi o principal assunto discutidoA interferência de medicamentos no resultado dos exames laboratoriais foi o principal assunto discutido

São Paulo, 6 de dezembro de 2010.

No sábado, 4/12, na Universidade São Judas Tadeu, em São Paulo, farmacêuticos atuantes em farmácias e drogarias e estudantes tiveram a oportunidade de se atualizarem no âmbito de Análises Clínicas e Toxicológicas, especialmente no que diz respeito à interferência de medicamentos nos resultados de exames laboratoriais. 


O evento, organizado pelo CRF-SP, reuniu cerca de 200 pessoas que acompanharam as palestras, entre elas a do professor do Centro Universitário São Camilo, dr. Valter Luiz da Costa, que explicou sobre os perigos da utilização de medicamentos antes da realização de exames laboratoriais. Segundo o professor, há dois riscos principais, a possibilidade de um resultado falso positivo ou um falso negativo. A ingestão de anti-inflamatórios, com propriedades similares ao cortisol, por exemplo,  pode resultar em efeitos como uma hiperglicemia sustentada e alterar resultados de exames.

Embora as novas técnicas minimizem o risco de erros, o farmacêutico deve estar atento e ter consciência que tais interferências podem acontecer, por isso, orientar o paciente faz parte de seu papel. “Se o farmacêutico de farmácia ou drogaria sabe que o paciente vai fazer algum exame, é fundamental que alerte sobre o uso de medicamento nos dez dias antes da coleta. Ele precisa estar atento à bula e aos manuais de interferência nos exames”.


Interferência de MIPs

O uso de medicamentos, mesmo os isentos de prescrição, pode interferir nos exames hematológicos, tema da palestra do dr. Paulo Caleb, vice-coordenador da Comissão Assessora de Análises Clínicas e Toxicológicas. “Por não serem considerados de uso crônico, os medicamentos isentos de prescrição, tendem a ser considerados inofensivos pela população”.

Para os profissionais que atuam em laboratórios de Análises Clínicas, a coleta de informações do paciente (hábitos, medicamentos de uso crônico e isentos de prescrição utilizados, consumo de álcool ou cigarros, entre outros) antes do exame é imprescindível para a obtenção de um resultado correto.

 

Dra. , Universidade São Judas Tadeu, dr. Sandro Januário, dr. Luciane Ribeiro e dr. Paulo Caleb, membros da Comissão de Análises Clínicas e Toxicológicas do CRF-SPDra. Cristiane Rocha, Universidade São Judas Tadeu, dr. Sandro Januário, dra. Luciane Neto e dr. Paulo Caleb, membros da Comissão de Análises Clínicas e Toxicológicas do CRF-SP


Farmacêutico: atuação pró-ativa

A atuação do farmacêutico deve ser pró-ativa. Ele deve relatar ao médico caso o resultado tenha sido influenciado por algum medicamento, oferecendo ao clínico informações sobre a ação do interferente, para que ele possa tomar a conduta mais adequada. O profissional também pode utilizar outra técnica laboratorial, caso saiba que o resultado será alterado por uso de algum medicamento, antes mencionado pelo paciente.

Dr. Paulo Caleb, ressalta que o ácido acetilsalicílico, presente na maioria dos antigripais vendidos no País, os hidróxidos de alumínio e magnésio (antiácidos), sulfato ferroso e até os complexos vitamínicos podem provocar a alteração de exames laboratoriais quando ingeridos dias antes da realização do exame. “É um grave problema, mas pouco visualizado”.

Outro membro da Comissão, dr. Sandro Jorge Januário, falou sobre a importâncida da assistência farmacêutica como forma de diminuir ou eliminar os riscos sofridos pela automedicação. Segundo o farmacêutico, a carência de estudos na área de interação medicamentosa dificulta o impedimento de tal ação. “O farmacêutico deve trabalhar com uma ficha de cada paciente diabético, por exemplo. Assim, poderia avaliar a evolução farmacoterapêutica”.

O vice-coordenador da Comissão, dr. Marcos Machado Ferreira, apresentou a palestra “Interferência de medicamentos na dosagem de glicemia” e sintetizou a importância do conhecimento da interação medicamentosa em pacientes diabéticos, uma vez que esses pacientes precisam aferir o índice glicêmico em períodos constantes.

 

A diretoria do CRF-SP também esteve no evento. Na foto, dra. Raquel Rizzi, dr. Marcelo Polacow e dra. Margarete KishiA diretoria do CRF-SP também esteve no evento. Na foto, dra. Raquel Rizzi, dr. Marcelo Polacow e dra. Margarete Kishi


Uso racional de antibióticos

O tema também esteve em discussão e dra. Adryella de Paula F. Luz esclareceu a importância do controle da dispensação de antimicrobianos no combate à resistência bacteriana. Para a mestre em Ciências da Saúde, a RDC 44/10, que amplia o controle no uso desses medicamentos, foi instituída para ajudar o farmacêutico a participar efetivamente da Saúde Pública, atuando de forma mais eficaz e prestando serviços à comunidade.

Para finalizar o seminário, dra. Luciane Maria R. Neto, coordenadora da Comissão, esclareceu sobre a necessidade do descarte correto de medicamentos, em particular dos antimicrobianos, para não prejudicar o meio-ambiente. Esses medicamentos podem contaminar os recursos hídricos, desenvolvendo micro-organismos resistentes caso sejam descartados indevidamente. “Esse é um problema de Saúde Pública, que deve ser motivo de preocupação constante para os profissionais de saúde”

 

seminario-analises-clinicas-4-12-mesaNa mesa-redonda, dra. Adryella Luz, dr. Paulo Caleb, dr.Marco Ferreira e dra. Luciane Neto respondem as perguntas dos participantes

 

Juliana Reis e Thais Noronha

Assessoria de Comunicação - CRF-SP